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ContrataçãoSoftware Sob MedidaGestão

Checklist completo para contratar uma empresa de software

Contratar o fornecedor errado pode custar muito mais do que o contrato. Este checklist cobre os pontos que a maioria das empresas ignora antes de assinar.

10 de abril de 20268 min de leitura

Contratar desenvolvimento de software é uma das decisões de tecnologia com maior potencial de dar errado — e os erros costumam ser caros. Um sistema entregue fora do prazo, com código de baixa qualidade ou que não resolve o problema real pode custar meses de retrabalho e um orçamento que não estava no plano.

A boa notícia é que a maioria desses problemas tem sinais visíveis antes da assinatura do contrato. Este checklist cobre o que verificar em cada etapa do processo.

Antes da primeira reunião

  1. Pesquise trabalhos anteriores. Peça exemplos de sistemas entregues — não só prints de interface, mas descrições do que o sistema faz, para qual tipo de empresa e qual problema resolveu. Se a empresa não consegue dar exemplos concretos, é um sinal de alerta.
  2. Verifique a presença online. Um site bem feito, conteúdo técnico publicado e presença consistente em LinkedIn indicam uma empresa que se preocupa com reputação. Ausência total de presença digital não é proibido, mas merece atenção.
  3. Entenda o modelo de negócio. A empresa cobra por projeto fixo, por hora ou por mensalidade? Cada modelo tem implicações diferentes para o seu orçamento e alinhamento de incentivos.

Na proposta técnica

  1. A proposta descreve o problema, não só a solução? Uma boa proposta técnica mostra que a empresa entendeu o seu processo antes de propor uma arquitetura. Propostas que chegam com tecnologias definidas antes de ouvir os requisitos são sinal de abordagem genérica.
  2. Escopo está documentado com detalhes? O que está incluído e o que não está precisa estar explícito. "Sistema de gestão completo" não é escopo — "módulo de pedidos com status, atribuição de responsável e histórico de alterações" é escopo.
  3. Prazo e marcos estão definidos? Projetos sem entregas intermediárias definidas tendem a atrasar sem que ninguém perceba até o final. Peça um cronograma com milestones e validações intermediárias.
  4. Custo de mudanças de escopo está claro? Em todo projeto surgem ajustes. Como isso é tratado — absorvido até certo limite, cobrado por hora, ou renegociado — precisa estar no contrato.

Propriedade do código

  1. O código é inteiramente seu após a entrega? Sem licença, sem royalty, sem cláusula de uso exclusivo do fornecedor. O código deve ser transferido a você como ativo digital seu.
  2. Você recebe acesso ao repositório? O código deve estar num repositório que você controla (GitHub, GitLab) ou que seja transferido para você na entrega — não num repositório que pertence à agência.
  3. Há mensalidade obrigatória pelo uso do sistema entregue? Se sim, você está comprando SaaS com cara de sob medida. O desenvolvimento pode ser customizado, mas a estrutura econômica é a mesma: dependência perpétua de um fornecedor.

Processo de desenvolvimento

  1. Com quem você vai falar durante o projeto? Gerente de conta que repassa informações, ou o próprio desenvolvedor? Quanto mais intermediários, maior o risco de contexto se perder.
  2. Como são as entregas intermediárias? Você valida o sistema em etapas ou só vê o resultado no final? Validação contínua reduz muito o risco de divergência entre o que foi pedido e o que foi construído.
  3. Como são tratadas as mudanças solicitadas? Pedidos de ajuste são respondidos em quanto tempo? Existe um canal claro para comunicação durante o desenvolvimento?

Documentação e entrega

  1. O contrato inclui documentação técnica? Manual técnico e de uso não são extras — devem estar incluídos. Sem documentação, você fica dependente do fornecedor original para qualquer manutenção futura.
  2. O deploy está incluído? Entregar o código sem colocar em produção é incompleto. A configuração de infraestrutura e o deploy devem fazer parte do escopo.
  3. Tem suporte pós-lançamento definido? Um período mínimo de suporte após a entrega é razoável de pedir — os primeiros dias em produção sempre revelam ajustes necessários.

Referências

  1. Peça contato de clientes anteriores. Uma empresa confiante no próprio trabalho disponibiliza referências sem hesitação. Se houver resistência, pergunte o motivo.
  2. Pergunte sobre projetos que deram errado. Como a empresa lidou com um projeto que atrasou ou teve problemas? A resposta revela mais sobre a maturidade do fornecedor do que qualquer lista de sucessos.

O sinal mais importante de todos

Independente do checklist, o melhor indicador de como o projeto vai correr é o primeiro mês de relacionamento. Como a empresa trata o processo de briefing? Faz as perguntas certas? Demonstra interesse real pelo seu negócio ou só quer fechar logo?

Fornecedores que pressionam para fechar o contrato antes de entender o problema raramente entregam o que o cliente precisava — só o que o cliente pediu, que é diferente.

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